Verdade Primeira Solidão. Primeira Verdade Solidão. Solidão Primeira Verdade.
Está frio.
Dor.
O deserto é assim.
Vazio?
Abre os olhos e vê:
Corpo e Sangue.
Viva ou Morta?
Suas asas foram arrancadas. Roubadas.
Se fizeram feridas.
[ferida- lesão corporal causada por trauma. Ulceração, chaga.]
Imunidade aberta.
Vulnerável?
O sangue escorre pelo corpo, manchando sua nudez.
Enoja-se de si mesma.
Despreza-se e desespera-se.
Estou só?
Onde está a Criança?
De Guerreira a Vítima?
Foi a Inimiga.
Salga a face e goteja a terra árida infértil.
Goteja...
Gota...
Go...
Sem armadura.
Sem asas.
Sem criança.
Chora sobre o seco.
O choro (con)fundi-se ao da criança.
...
Chove seco.
Uma rajada de areia aranha-lhe a retina.
Tem que fechar os olhos.
E a chuva seca insite em soterrá-la.
[soterrar- meter-se por debaixo da terra]
Nem viva, nem morta.
Rasteja-se.
É tudo o que pode fazer.
Simplesmente porque existe.
[existir – subsistir, durar]
Por amor! Deus!
E nem o diabo duvida disto.
Sem asas.
Sem criança.
Sem retina.
Sem ninguém?
Roja-se.
Pois as feridas estão lá.
Abertas.
Elas sentem tudo e por tudo.
E carregam consigo a recordação da Inimiga.
E gotejam.
Gotejam...
Gota...
Go....
...
